quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Profissões com maior e menor valorização salarial

Medicina, militar e engenharias civil, química, elétrica e mecânica estão entre as carreiras cujos salários foram os que mais aumentaram na última década. Em contrapartida, administração, filosofia, jornalismo e marketing figuram entre as que tiveram os salários reduzidos nos últimos dez anos. O ranking faz parte de um estudo divulgado pela Brasil Investimentos & Negócios (BRAiN), chamado “ Talentos - As profissões e o mercado de trabalho brasileiro entre 2000 e 2010”. As informações surgiram a partir do cruzamento de dados com base em censos oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O objetivo do estudo foi investigar o comportamento da demanda e da oferta por profissionais de nível superior, identificar os gargalos e apresentar propostas ao governo brasileiro. Para Filipe de Oliveira Pelepka, gerente de pesquisas da empresa, os dados podem direcionar políticas públicas e também servem de referencial para o mercado de trabalho. O salário médio mensal das pessoas com nível superior no Brasil declinou na última década, passando de R$ 4.317 para R$ 4.060 entre 2000 e 2010. Essa queda de 6% foi maior do que a observada entre os que completaram apenas o ensino médio, de R$ 1.378 para R$ 1.317, ou seja, 4,4%. Diploma “obrigatório” Para a psicóloga Daniela Brandi, diretora para Recursos Humanos da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), o ensino superior, assim como o segundo idioma, deixou de ser diferencial e passou a ser obrigatório para manter-se no mercado de trabalho em cargos de melhor remuneração. “A queda acontece porque no momento em que a formação superior se torna obrigatória para demanda de mercado, muitas pessoas buscam o diploma e assim, há maior oferta, possibilitando maiores negociações salariais.” Segundo a pesquisa, é difícil compatibilizar essa queda de salário com o “apagão”, já que se a demanda estivesse crescendo a uma taxa superior à da oferta por ensino superior, os diferenciais de salários deveriam estar aumentando. As estatísticas não diferenciam o comportamento nas diferentes profissionais, por isso essa conclusão. Pode ser, por exemplo, que a demanda por engenheiros esteja crescendo mais do que a oferta, enquanto no caso dos administradores de empresas esteja ocorrendo o contrário. Rubens Cardia Na opinião da psicóloga Daniela Brandi, assim como segundo idioma, diploma não é mais diferencial O estudo mostra a queda salarial em algumas formações específicas, que tiveram grande aumento na proporção de formados, tais como: enfermagem, administração de empresas, turismo, farmácia e marketing. Por outro lado, algumas profissões tiveram aumentos significativos nos salários, mas queda na participação entre os formados, tais como: medicina, arquitetura, engenharias, economia e ciências sociais. A demanda está aumentando mais rapidamente que a oferta, ou seja, são áreas em que a sociedade está precisando de mais profissionais. Segundo Ana Carolina Verdi Braga, diretora de Treinamento e Desenvolvimento da Acirp, também especialista na área, em relação à medicina, a teoria se encaixa nos lugares mais afastados, onde o profissional não quer atuar, por ser muito longe ou em lugares precários sem condições adequadas de trabalho. “Nessa realidade existe falta de profissionais e com isso os salários aumentam para conseguir profissionais qualificados”, afirma. No caso da engenharia civil, segundo ela, o aumento está ligado ao crescimento da nova classe média, que agora tem poder para comprar um imóvel, por isso o “boom” de imóveis e a procura pelos engenheiros. A importância do trabalho, segundo Pelepka, é direcionar políticas públicas no sentido de priorizar carreiras que sejam mais demandadas. A ausência de profissionais qualificados em áreas de produção de valor agregado poderá contribuir para que o crescimento do Brasil definhe ao longo dos próximos anos. Por essa razão, a BRAin propõe o aumento da migração de profissionais qualificados par ao Brasil . “Portugal e Espanha, por exemplo, que estão em crise, são países que têm uma oferta de profissionais qualificados que poderiam trabalhar no mercado financeiro”, afirma. Divulgação Filipe Pelepka, gerente da pesquisa: "Dados podem direcionar políticas públicas e servir como referência na escolha da carreira" Falta de plano de carreira estimula rotatividade A economia de Rio Preto é formada, em sua grande maioria, por pequenas e médias empresas. Empreendimentos desse porte não costumam ter plano de carreira, situação que facilita a rotatividade dos colabores. “Qualquer aumento salarial, por menor que seja, faz o trabalhador trocar de emprego/empresa”, diz Ana Carolina. E isso não é bom também para o profissional. Aquele que troca muito de empresa acaba não desenvolvendo sua carreira. Segundo Daniela, para que haja evolução é necessária consolidação do cargo e das atribuições em cada empresa, para que o profissional permaneça pela experiência e não pelo cargo que ocupava. Segundo a especialista, os empresários não investem em planos de carreira por falta de conhecimento, pois não é uma estratégia cara. Ao contrário, só traz benefícios para os dois lados: redução de custos para a empresa e fidelidade do trabalhador. “O plano faz com que a empresa não perca seus colaboradores e o colaborador consegue enxergar a empresa como uma escada em que, com o tempo, pode chegar ao topo,” afirma Ana Carolina. Para Daniela, proprietários de empresas têm se dado conta de que não são os mais qualificados para os cargos executivos, administrativos, financeiros, comerciais ou de decisão, ainda que sejam os donos. Essa percepção tem diminuído a impossibilidade de implantação do plano de carreira. “Esses proprietários tem se dado conta que ganharão mais dinheiro se colocarem uma pessoa com mais conhecimento técnico e experiência de mercado do que ele próprio”, disse. Muitas vezes, a ausência de um plano de carreira pode contribuir para o desânimo do trabalhador, entretanto, segundo Daniela, um novo trabalho não deve ser escolhido por impulso. “A pessoa tem que se identificar com os valores da empresa. Se respeitar sua natureza e perceber o quanto tem de identificação com a identidade do negócio que se propôs a trabalhar, haverá muito menos rotatividade nas empresas”, disse.

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